“Robert Enke: Uma Vida Curta Demais”, um livro sobre a vida além futebol

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Ronald Reng esteve em Portugal a apresentar biografia que escreveu sobre Robert Enke, com o nome “Uma vida curta demais”. Esta biografia foi originalmente editado na Alemanha há dois anos e agora foi traduzido para português pela Lua de Papel. A obra foi aclamada e em Inglaterra recebeu o prémio William Hill para livro do ano na área do desporto, em 2011. Mas o jornalista alemão não estava preparado para lidar com isso. “Foi um sentimento estranho. Pensava: “Tenho direito a estar feliz? A que o livro tenha sucesso? A ganhar dinheiro com o livro?” Não consegui desfrutar”, confessou a um jornal nacional. “Agora começo a sentir-me aliviado. Recebi muitos contactos de pessoas que sofriam de depressão, e suponho que o livro teve um efeito positivo, o que me deixa em paz.”

Durante a conversa que manteve, recordou a convivência que teve com o guarda-redes alemão, que passou pelo Benfica entre 1999 e 2002, e que acabaria por cometer suicídio, há três anos.

“Gostava da companhia de pessoas, mas num grupo adoptava a postura de observador. Quando estava são, não acho que fosse uma pessoa solitária”, afirma Ronald Reng, lembrando a ligação especial que Robert Enke e a esposa, Teresa, tinham com Lisboa e Portugal: “Eles eram jovens quando vieram para Lisboa, foi um grande passo. Ele não queria, ao início. Mas depois, quando se estabeleceu em Lisboa, enquanto guarda-redes e capitão do Benfica, ganhou muita confiança e sentiu-se feliz”. “Sempre tiveram a ideia de regressar. Eles teriam vivido em Portugal no final da carreira do Robert”, acrescenta o autor.

Com a mudança para Barcelona, em 2002, foi-se a confiança ganha em Lisboa. “Quando ele teve a primeira depressão clínica, em 2003, era claro que a pressão a que ele se sujeitou, ao querer ser o número 1 do Barça, e o quanto ele se culpabilizava por falhar, foram a causa da doença”, aponta Reng. “Os próprios guarda-redes se lembram muito mais dos erros que das defesas. O psiquiatra do Robert colocou bem as coisas: tem de se aprender a viver com os erros. Perceber que um erro não é todo um jogo. Um jogo não é uma época. Uma época não é uma carreira. E a carreira não é a vida. Há outras coisas além disso. Para o Robert era muito difícil aprender a lidar com os erros”, sublinha.

As razões da segunda depressão clínica, em 2009, “não são claras”, nota Reng. Enke adoptara uma filha (a sua filha biológica faleceu em 2006), somava bons desempenhos na baliza do Hannover 96 e afirmava-se na selecção alemã. “Ele próprio não via a razão. Escreveu no diário: “Porquê, porquê agora?””

O que aconteceu com Robert Enke ajudou à compreensão da depressão como doença, no meio desportivo e fora dele. “As coisas mudaram na Alemanha, devido à morte do Robert. É mais fácil um futebolista falar publicamente sobre a sua doença. Embora a depressão seja uma doença com a qual a maioria das pessoas tenta lidar em privado”, indica o autor.

Enke, diz Reng, gostaria de ser lembrado como alguém que se debateu com uma doença. “Significaria muito para ele que as pessoas soubessem que era preocupado com os outros e um guarda-redes fantástico. E que percebessem que não se matou conscientemente, mas que foi a doença que o levou a esse acto.”

Um livro que aconselho a comprar, recordando um grande futebolista, um grande homem e a sua luta contra a depressão.

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